sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Minha estante velha


Cresci numa casa de professoras. E,não por acaso,numa casa cheia de livros por todos os cantos (benza Deus!). Morava numa casa com mais seis irmãs e a diferença de idade de mim para a irmã seguinte é de quase 4 anos,portanto sempre fui mais a solitária. Brincava sozinha,mas nem me importava com isso,porque as vezes as outras crianças não conseguiam mesmo entender nem acompanhar aquele mundo tão grande e fantasioso que eu trazia dentro de mim. Pra aumentar ainda mais a minha solidão, minhas irmãs ou trabalhavam ou estudavam e eu ficava sempre sozinha em casa em algum momento do dia. A solidão me foi deveras importante. Ela me serviu de bússola de mim mesma...
A combinação entre solidão e livros é linda,pode crer! Lembro da estante de madeira (ainda viva) que se quardava os livros da casa. A maioria eram didáticos, de Português (porque a maioria de minhas irmãs são formadas em Letras e professoras de Língua Portuguesa) e eu dorava ficar procurando tirinhas,narrativas,poemas,crônicas nesses livros. As vezes até decorava trechos ou anotava em algum caderno alguma parte que tocava minha alma derretida. Tinha também nessa estante os livros católicos (porque minha família sempre foi católica e engajada em pastorais e grupos eclesiais da igreja),alguns de hinos,outros de dinâmicas de grupo,outros de catecismo. Não posso esquecer da coleção da revista Mundo Jovem, que tínhamos assinatura e que trazia sempre temas atuais com uma linguagem meio religiosa e muito crítica. E claro, tinha os livros de historinhas, os romances, as biografias, as coletâneas de poemas, os de auto-ajuda e alguns clássicos da literatura nacional,"surrupiados" de bibliotecas mundo a fora (não façam isso! RS). As vezes eu inventava de ir limpar tal estante, só pra ter a desculpa de ficar lá, em meu momento de desbravadora. E ficara horas "viajando" em páginas velhas e amareladas ou novinhas e cheirosas. A estante velha de madeira da minha casa em Lago da Pedra era um mundo à parte pra mim. Como aquele cantinho aguçava meu lado inerentemente sonhadora de ser...
Dentre os tantos achados em MINHA estante velha,um me faz lembrar com mais carinho. Foi o dia em que encontrei um livro fininho,azul,com nuvens na capa e que falava de perdão. Era um livro comprido,de caráter religioso e eu o achei bonito. O prefácio do livro,veja que maravilha, era um texto que falava de AMOR. Um livro sobre perdão que começava falando de amor. Ali já vi o quão substancial me seria aquela leitura,porque amor e perdão são,de fato,um só...
Sabe,perdoar é tarefa difícil, requer grandeza e altruísmo. Pede de ti uma leveza e uma doçura na alma, que não condiz o que aprendemos nesse mundo de cão. E por isso mesmo,quantas vezes fingimos perdoar...mas fica ali aquela agulhinha de mágoa que nos espeta vez ou outra e ate nos faz sangrar. E ainda tem essa pedagogia do "não preciso adular ninguém" ,que a contemporaneidade de egoísmo-civilizado prega. Nos é imposto que não precisamos pedir tanta desculpas assim,porque somos independentes e polivalentes e coisa e tal. Mas a gente sabe que o vazio deixado por uma pessoa que a gente quer bem é impreenchível... É oco,é escuro e tem gosto de fel. O mundo moderno talvez perdoe menos,porque desaprendeu a amar. E desaprendeu a amar porque não quer perdoar. E não quer perdoar porque o fetichismo que o sistema provoca nos afasta do sagrado e do divino...
O texto do prefácio do livro que achei na estante da minha casa era de Martin Luther King, um mártir na luta pela justiça racial e pregador incansável do amor entre as gentes. Falava das três palavras que o Velho Testamento Grego trás para "AMOR" - eros,philos e ágape. E tenho viva na minha mente a explicação que ele dava à palavra ÁGAPE: " ...é boa vontade ativa e redentora para com todos os homens. Os Teólogos diriam que é o amor de Deus agindo no coração humano. Ágape é uma espécie de amor desinteressado, supremo. Era à esse tipo de amor que Jesus se referia quando pregava "AMAI OS VOSSOS INIMIGOS" e dou graças por Ele não ter dito "gostai de vossos inimigos"! Porque gostar é uma emoção afetiva e eu não posso gostar de que me bombardeia a casa,eu não posso gostar de quem tenta espezinhar-me com injustiças,mas tenho que amar e perdoar,porque Deus o ama e porque somos todos irmãos..." 
Claro que as palavras não eram exatamente essas,mas chegam muito perto. Essa mensagem entrou em mim e la tem lugar cativo. Sempre que me deparo com alguma dessas pessoas amargas e cinzas que a vida nos apresenta, eu lembro de tudo isso...lembro das palavra do Velho Testamento Grego citada por Luthet King no livrinho azul.

Quem diria que uma estante velha de madeira carregaria um exercício de vida num livrinho fininho e modesto de capa da cor do céu...


e o antídoto é sempre o amor...

 


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Agora eu sou Imortal - Discurso da noite de Diplomação da ALLA



Boa noite a todos, autoridades, representantes e povo de Lago da Pedra. Minha saudação a todos vocês que muitos nos horam com suas presenças.

A priori, gostaria de dizer que não esperem de meu discurso, palavras rebuscadas, eruditas e eloquentes. Meu jeito de escrever é bem à minha maneira: simples, clara e até meio cabocla. Não esperem também formalidades e cumprimento fiel à regras. Na verdade nunca me dei muito bem com protocolos...rs

Começo aqui minha fala, nesta noite, parafraseando Clarice Lispector: “felicidade é pouco! O que eu estou sentindo ainda não tem nome.” Agradeço de coração e de alma pelo convite a mim concedido. Sinto-me deveras lisonjeada em fazer parte deste capítulo tão insigne na história de minha cidade. Confesso que cheguei a me questionar se seria mesmo eu digna e merecedora de tão honrosa missão.

Hoje é um dia de festa. Para mim, tenho certeza que também para os demais membros e, claro, para Lago da Pedra. Essa Academia representa um passo gigantesco rumo a valorização da cultura de nossa gente. E cultura, convenhamos, é alimento para a alma... e nossa alma está faminta.

Deem-me então licença para me apresentar. Sou Patrícia Carlos, filha legítima dessa terra, mas que hoje está “uma cajuína cristalina em Teresina”. Sou uma sonhadora e nas horas vagas, sou estudante de Bacharelado em Serviço Social. Sou filha de trabalhadores rurais e imã de professoras. Vim de uma família de mulheres de fibra e de garra e de sonhos. Cresci num meio bastante propício para me tornar uma dessas “meninas de asas”. Cresci rodeada de gente que me engrandeceram como pessoa. Jovens da pastoral da Juventude, professores, militantes políticos de esquerda...todos mergulhados em um espírito de revolução e de intelectualidade interiorana. Por isso, sempre fui aquela menina curiosa, ”perguntadeira”, precoce. E a culpa era do meio e dos LIVROS! Ah, os livros...sempre me fascinaram, sempre viajei com eles, sempre me embriaguei das palavras.

Lembro que minha irmã Isabel fez um livrinho quando estudava o magistério que contava a história de uma gota d’água de poça que sonhava em ser gota do mar. Um dia uma enchente realizou o sonho da gotinha e ela foi ser mar...naquela imensidão misteriosa e fascinante. Ela dedicou o livrinho à mim. Hoje eu vejo que aquela gota d’água visionária, sonhadora e até pretenciosa era mesmo eu... Lembro também que Claudicélio Rodrigues, nosso ilustre conterrâneo escritor, hoje Dr. Em letras e cidadão carioca, me deu de presente um livro, quando era ainda bem pequena, de título “A menina das bolhinhas de sabão”. Contava a história de uma garotinha solitária que um dia percebeu que podia viajar dentro das bolhinhas de sabão que fazia da janela de seu quarto. E conhecia terras distantes, personagens mirabolantes, tudo sem sair de sua casa. Hoje eu também vejo que aquela menina Ana Maria também tinha muito de mim...

Fui crescendo então, amante dos livros, das artes, viajando sem sair do lugar. Hoje tenho textos escritos, crônicas, contos. Tenho um Blog por nome Suave Veneno onde publico alguns deles e estou a finalizar um romance sobre uma mulher nordestina, que breve deverá ser publicado.

Enfim, encerro aqui minhas palavras da mesma forma que comeci – agradecendo. Obrigada à minha família, que me deu toda a base e que é meu alicerce, obrigada aos meus amigos, que sempre me dão tanta força e carinho, obrigada aos meus professores – os de agora e os de antes - a quem eu tanto admiro e quero bem e respeito. Deixo aqui meu compromisso com esse projeto hoje iniciado. À Academia, digo: prometo honrar minha cadeira e dedicar-me de todo. E à minha Lago da Pedra, digo: “verás que um filho teu não foge à luta...”



Muito obrigada!



Patrícia Carlos

domingo, 30 de setembro de 2012

Mercado em crise

Mulheres,aquele papo clichê que "o mercado de homens ta em crise",é uma grande verdade. Sim...os homens capazes de MANTER uma mulher interessada estão definitivamente em extinção. Por outro lado,meninões sarados,desencanados e doces,doces,doces estão aí por todos os lados (vale ressaltar que estou sendo eufêmica quanto aos adjetivos atribuídos a eles,rs).
Outra triste constatação,que é derivada da primeira,é que as mulheres estão cada vez mais MAL AMADAS,no sentido literal mesmo da expressão. Estão nos amando pouco,estão nos amando errado...Ta faltando atenção,consideração. Ta sobrando desrespeito,desdém.
Aí vem aqueles P.A's nossos da vida se vangloriando porque são capazes de fazer gozar. Esquecem eles que este tipo de gozo,sem o depois, a gente sente até em liquidação de bolsa falsificada! A gente não quer só o durante...mulheres amam o depois.
A verdade é que sempre tem aqueles caras que nos comem muito bem (as pudicas que me desculpem pela expressão),mas que nunca nos dão seu colo,sua mão,seu aconchego...
Mulher não gosta de melosidade mesmo não! Não gosta de grude,de homem agé. Mas de carinho a gente gosta...de atenção,de se sentir gostada. Mesmo umas "mentiras sinceras" nos interessam. Nos embriagamos com doses de ilusão...

Ei garçom,uma dose de amor,por favor!
Não tem?
Então manda uma de ilusão mesmo.
Também tá em falta?
Então vê pelo menos um antídoto pra tédio e pra sem-gracisse...





Chicando


Viva Gonzaguinha! ;)


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sinestesia


Clariei o cabelo de novo... (Ufa!)

ver se clareia mais a vida tbm...o coração,a alma...ta tudo escuro de mais....e escuridão dói,ja repararam? Ou é só em mim esta sinestesia????
Eu

terça-feira, 17 de abril de 2012

As coisas novas,que também são boas...


Tô naquele momentinho assim de "me refazer"...porque a vida ta pedindo outras coisas sabe? Outras posturas,rever conceitos... Tô pedindo desculpas pelas falhas,tô esvaziando gavetas velhas e empoeiradas pra poder guardar novas coisas,novas pessoas,tô deixando de lado aquilo que me empacava,tô me reaproximando de uns,me afastando de outros...tô me PERMITINDO navegar por novos mares... E isso me faz tão bem...me faz vazia de tudo que me deixava cheia... e me faz cheia de paz interior...

que seja um novo tempo! E que "ele" faça parte,porque não?


"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante..."